França diz não ao “matrimônio” homossexual

Do ACI Digital

O Conselho Constitucional francês decidiu que a proibição do matrimônio entre duas pessoas do mesmo sexo não viola a Constituição do país, e só o Parlamento pode decidir uma mudança na legislação, segundo a resolução publicada em sua página Web. Os nove “Sábios” que o compõem recordaram que segundo os artigos 75 e 144 do Código Civil, “o matrimônio é a união de um homem e uma mulher”. Além disso, o órgão francês indicou que o legislador, “no exercício de sua competência, estimou que a diferença de situação entre os casais do mesmo sexo e os casais compostos por um homem e uma mulher poderia justificar uma diferença de trato quanto às regras de direito da família”.

“Não corresponde ao Conselho Constitucional substituir sua apreciação (do legislador) na hora de ter em conta esta diferença de situação”, explicou o Conselho referindo-se ao Parlamento. A resolução vem pelo recurso de inconstitucionalidade interposto por um casal de fato de lésbicas contra esses dois artigos pela falta de segurança jurídica de seus quatro filhos.

Corinne Cestino e Sophie Hasslauer, que vivem juntas há 14 anos, acreditam que o matrimônio “é a única solução para proteger seus filhos, poder compartilhar a autoridade parental, regular os problemas de herança e custódia ante o eventual falecimento de uma das duas”, segundo o jornal Le Figaro. Segundo uma sondagem publicada pelo Canal +, 58 por cento dos franceses se mostram favoráveis ao matrimônio homossexual, diante de 45 por cento registrado em 2006. A adoção de crianças por parte de um casal homossexual conseguiu a aceitação de 49 por cento contra 30 por cento contrários em 2001.

O matrimônio homossexual está permitido na Europa na Bélgica, Holanda, Noruega, Suécia e Espanha. No resto do mundo, este pode ser feito legalmente na África do Sul, Argentina, Canadá e alguns estados dos Estados Unidos.

Dominus Vobiscum

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As bem aventuranças são um programa moderno de vida, afirma o Papa

Do ACI Digital

O Papa Bento XVI recordou este domingo durante a oração do Ángelus que recordou que as Bem aventuranças são um programa de vida para todo ser humano. Ao falar das Bem aventuranças, o coração do Evangelho deste domingo, o Pontífice destacou que “não se trata de uma nova ideologia, mas de um ensinamento que vem do alto e toca a condição humana, justamente aquela que o Senhor, encarnando-se, quis assumir para salvá-la”.

O Sermão da Montanha, explicou o Papa, “está dirigido a todo o mundo, no presente e no futuro, e somente pode ser compreendido e vivido no seguimento de Cristo, caminhando com Ele”. “As Bem aventuranças -continuou- são um novo programa de vida para liberar-se dos falsos valores do mundo e abrir-se aos verdadeiros bens. Em efeito, quando Deus consola, sacia a fome de justiça, seca as lágrimas dos afligidos, e além de recompensar a cada um de modo sensível, abre o Reino dos Céus”.

Além disso o Papa fez notar como este programa de vida reflete “a vida do Filho de Deus que se deixa perseguir, desprezar até a morte, a fim de que a salvação seja concedida aos homens”. Mais adiante fez notar, citando um “antigo eremita”, que não bastará só com o esforço humano e a própria vontade, pois “as bem-aventuranças são dons de Deus e devemos dar graças por estas e pelas recompensas que se derivam, o Reino dos Céus no século futuro, a consolação aqui, a plenitude de todo bem e misericórdia por parte de Deus”.

Perto do fim da sua alocação o Papa invocou a Virgem Maria, “bem-aventurada por excelência”, pedindo-lhe a força “de procurar o Senhor e segui-lo sempre, com alegria, pelos caminhos das Bem aventuranças”.

Dominus Vobiscum

Arcebispo italiano afirma: Laicismo não é ateismo

Do Portal Zenit

Embora estejamos empenhados com o estudo sobre as Sagradas Escrituras, vi este texto excelente escrito pelo Arcebispo de Trieste – Itália, Dom Giampaolo Crepaldi, presidente da Comissão “Caritas in Veritate” do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) e presidente do Observatório Internacional “Cardeal Van Thuan” sobre a Doutrina Social da Igreja. Importante para todos os católicos lerem e refletirem: Nosso papel como leigos católicos na política. Leiam com atenção.

Para o político católico, o laicismo é um valor adquirido que deve ser defendido. Isto significa que a esfera política é independente da eclesiástica, que a política e a religião pertencem a âmbitos diferentes.

O cristianismo contribuiu bastante para o estabelecimento do laicismo autêntico. O cristianismo não é uma religião fundamentalista. O texto sagrado em que ele se inspira não deve ser lido ao pé da letra, e sim interpretado; a autoridade universal do Papa libera os cristãos das excessivas sujeições políticas nacionais; Deus confiou a construção do mundo à livre e responsável participação do homem. Não significa que a sociedade e a política sejam totalmente alheias à religião cristã, que não tenham nada a ver com ela. A sociedade precisa da religião de maneira concreta para manter um nível sadio de laicismo.

O cristianismo colabora com este objetivo, porque não impede a sociedade de ser legitimamente autônoma e ao mesmo tempo a sustenta e ilumina com sua própria mensagem religiosa. Poderíamos até dizer que o cristianismo a impulsiona a ser ela mesma, por explicitar a sua plena vocação e pedir-lhe o máximo das suas capacidades, sem se fechar em si mesma.

A sociedade que fecha as portas para a religião e para o cristianismo fecha portas para si mesma: ela não permite que as pessoas e as relações sociais respirem, sufocando as suas possibilidades com uma suposta autossuficiência. O cristianismo não teme enfrentamentos com outras religiões neste ponto: é no Deus feito homem que reside a valorização máxima da dimensão humana, familiar, social e ao mesmo tempo a sua total iluminação por Deus. Quando a razão política teme o cristianismo, é porque já decidiu optar pela própria autossuficiência, fechando-se para uma mensagem que na verdade a valorizaria.

Tende-se hoje a considerar que o laicismo é a neutralidade do espaço público aos absolutos religiosos. Um espaço em que os absolutos religiosos não deveriam intervir por dois motivos: primeiro, porque numa democracia não haveria espaço para os absolutos; segundo, porque os absolutos religiosos seriam irracionais, ao passo que o espaço público deveria alimentar-se de um discurso racional. Ocorre que este espaço permaneceria vazio, e nesse vazio haveria lugar para novos absolutos inimigos do homem, para novos deuses.

Mas examinemos antes os dois princípios vistos até agora: a democracia é incompatível com os princípios absolutos? A religião é irracional? Não é verdade que a democracia pressuponha o relativismo moral e religioso, nem é verdade que os princípios absolutos sejam necessariamente violentos e opressivos. Mas poderíamos dizer o contrário: a falta de referências absolutas gera uma luta de todos contra todos, onde tem razão quem é mais forte. A democracia também se arrisca a reduzir-se à força da maioria. Por isso existe a necessidade de que os cidadãos acreditem em princípios absolutos, como por exemplo a dignidade de cada pessoa humana, a liberdade, a justiça, etc. Por outro lado, a democracia se torna apenas um procedimento, mas estes podem mudar facilmente se não estão repletos do que é substancial.

A substância da democracia não é o procedimento, mas a dignidade da pessoa, que deveria ser considerada um valor absoluto. E como pode ser considerada um valor absoluto se não se baseia em Deus? Como bem observou Tocqueville a respeito da jovem democracia americana, a religião está estreitamente conectada com a liberdade, e a liberdade pode diminuir inclusive nos regimes democráticos.

Passamos ao segundo ponto: a religião é irracional? Não há dúvida de que existem formas de religião irracionais, total ou parcialmente. Mas não é o caso do cristianismo.

Existem as religiões do mito, que entendem a divindade como uma união de forças obscuras e indecifráveis, arbitrárias e estranhas, que a religião tenta tornar suas aliadas. Há também as religiões do Logos, como a judaico-cristã, que crê num Deus que é Verdade e Amor.

Esta religião é razoável e não contradiz nenhuma verdade racional; antes, vincula-se a elas complementando-as, e não exige do homem a renúncia a tudo o que o torna verdadeiramente homem, para ser cristão. Não é aceitável, portanto, a idéia de que a religião, seja qual for, é, pela sua natureza, irracional. Isto certamente não vale para o cristianismo. Apesar disso, muitos entendem o laicismo como neutralidade, como uma expulsão da religião do espaço público. A ideia de eliminar a celebração do Natal, de impedir a exposição de símbolos religiosos em espaços públicos, de proibir a ação missionária que divulga aos outros a própria fé, são algumas expressões dessa visão do laicismo como espaço neutro, o que é visto especialmente no modelo francês. Nestes casos não se demonstra absolutamente a mencionada neutralidade.

Uma parede sem um crucifixo não é neutra: é uma parede sem crucifixo. Um espaço público sem Deus não é neutro: ele não tem Deus. O estado que impede a toda religião manifestar-se em público, talvez com a desculpa de defender a liberdade de religião, não é neutro, porque se posiciona a favor do laicismo ou do ateísmo e assume a responsabilidade de relegar a religião ao âmbito privado. Em muitos casos, nasce a religião do estado, a religião da antirreligião.

Entre a presença ou ausência de Deus no espaço público não há meio termo; não há neutralidade. Eliminar a Deus do espaço público significa construir um mundo sem Deus. Qualquer um diferencia um laicismo forte de um laicismo fraco. O primeiro se limitaria a admitir no espaço público todas as opções, compreendida a não religiosa; a segunda admite também formas de oposição à religião. Mas esta diferenciação não convence, porque um mundo sem Deus já é um mundo contra Deus. Excluir a Deus, mesmo que Ele não seja combatido, significa construir um mundo sem referências a Ele.

Por este motivo, o político católico não pode admitir nem colaborar com o laicismo entendido como neutralidade, porque isto significa dar espaço a uma nova razão do estado que, prejudicando a religião, prejudicará a si mesma. O político católico se oporá a esta visão, seja por razões religiosas, das quais ele não pode separar-se, seja por razões políticas, para impedir que nasça uma nova religião do estado prejudicial à liberdade das pessoas.

Pax Domini

Que parâmetros devemos ter para ler as Sagradas Escrituras?

Vimos nos posts anteriores, que precisamos ter parâmetros para ler a palavra de Deus. E a Igreja nos dá alguns parâmetros. Se você deseja (e é bom que queira mesmo) conhecer a palavra de Deus, esteja atento a estes pontos importantes:

1. A analogia da fé – A Bíblia é um livro de verdades religiosas reveladas por Deus (isso já vimos anteriormente). Por isso, cada texto está de certa forma relacionado com toda a Bíblia e com a fé da Igreja, ou seja, um trecho não contradiz o outro. Não podemos tirar um texto ou um versículo que seja deste contexto, sem que possa haver erro de interpretação. Aqui entra a importância da Tradição e do Magistério da Igreja. É o que sempre tenho afirmado desde o início: A Igreja que deve ter a palavra final, a fim de se evitar o perigoso subjetivismo pessoal (o famoso achismo – “eu acho que…” ).

2. O sentido da História – Sempre dizemos isso quando falamos sobre a Sagrada Escritura: Deus é o Senhor da história. E é na história que a sua santa vontade se realiza. O avançar da história, e o desenvolvimento do seu povo, também nos ajuda a compreender a Sagrada Escritura. Jesus mandou observar os sinais dos tempos.

3. O sentido do movimento progressivo da Revelação – Desde o começo dos nossos estudos, eu procurei mostrar a você, que Deus foi revelando sua vontade devagar. Deus é amigo do tempo. É importante que você perceba que Deus tem paciência, ao contrário de nós. Deus levou apenas 14 séculos para nos revelar a sua palavra, e continuou a nos ensinar durante mais de 20 séculos como vivê-la. E nos ensina até hoje através da Sua Igreja, através da Sagrada Tradição (transmissão oral, não escrita) que para nós católicos tem o mesmo valor das Sagradas Escrituras (conforme já foi falado).

4. O sentido da relatividade das palavras – Segundo o professor Felipe Aquino: “As palavras são relativas, nem sempre absolutas”. Para entender o texto bíblico precisamos saber o que certas palavras, frases ou expressões significavam exatamente quando o autor sagrado as usou.

Por exemplo: Digamos que uma jovem escreva um bilhete (em português) para uma amiga: “Querida amiga, meu namorado é um gato. E meu Pai é um barato, pois nos deixou namorar…”

Agora imagine que esse bilhete fique em algum livro ou gaveta e seja encontrado daqui a 5.000 anos, por algum italiano que está aprendendo português.

O que essa pessoa ao traduzir esse texto irá pensar? Se ele não souber que nos dias de hoje a juventude usa a expressão “gato” ou “gata” para dizer que alguém é bonito, e não souber que “barato” significa alguém legal, bacana, logo vai pensar que essa jovem namorava gatos e seu pai era um inseto nojento. É preciso entender a palavra na época que era usada. Em outras palavras: Cada tempo tem sua gíria. E a bíblia está cheia delas.

5. O bom senso e senso crítico – Deus não nos deu uma cabeça apenas para equilibrar o corpo. Se Ele nos deu a inteligência, precisamos usá-la. É bom sempre se perguntar diante de certas interpretações: isto tem fundamento no texto original? Ou são apenas o ponto de vista de alguém em desacordo com o autor sagrado?

Se alguém ter entendimento das Escrituras Divinas ou parte delas, mas se com esse entendimento não edifica a dupla caridade – a de Deus e a do próximo – é preciso reconhecer que nada entendeu…
(Santo Agostinho – Séc IV)

Dominus Vobiscum

Podcast: As Sagradas Escrituras

Nos posts anteriores, vimos que a Igreja se orienta pela Bíblia, pela Tradição da Igreja e pelo Sagrado Magistério. No programa de hoje iniciaremos um estudo interessante sobre a Bíblia. Por que a Igreja afirma que a Bíblia é inspirada por Deus? Quem definiu os livros da Bíblia? Podemos confiar na palavra de Deus?

Só lembrando que quando fiz esse podcast, eu ainda era missionário da Comunidade Canção Nova. Em breve novos podcasts.

Pax Domini

Como eu posso tentar entender um determinado trecho bíblico?

Devemos a ter Bíblia como a Palavra de Deus escrita para os homens e pelos homens… (Professor Felipe Aquino)

Se a Bíblia foi escrita pelos homens e para os homens, podemos perceber que ela apresenta duas faces: a divina e a humana. Para que possamos interpretar correramente, precisamos conhecer a sua face humana, e a partir dela, entendermos a mensagem que Deus no revela ali. Não podemos interpretar a bíblia de uma forma “espiritualóide”. Isso já fez muita gente cometer erros e heresias terríveis. Porém não podemos ler a bíblia observando apenas os critérios humanos ou científicos. Repito. São duas faces.

Eu acho que Deus foi muito sábio ao revelar-nos sua palavra assim. Observe que a Igreja tem sempre dois pontos a serem analisados. As coisas de Deus são sempre assim. A Bíblia não é um livro caído do céu. Deus não apareceu aos autores e disse: Anote o que eu vou escrever.

É um Livro que passou pela mente de judeus e gregos, numa faixa de tempo que vai do séc. XIV aC. ao século I dC. É por causa disto que é necessário usar determinados pontos de partida para entender a palavra.

Todos os informes que a ciência chamada história nos oferece sobre o sucedido nos tempos passados nos são de grande ajuda para compreendermos as Santas Escrituras…
(Santo Agostinho – Séc IV)

Se usarmos estes pontos para interpretar a palavra, sem medo, iremos desfrutar da palavra com plenitude. No próximo post iremos mostrar referências que a Igreja nos dá para interpretarmos a palavra de Deus.

Dominus Vobiscum